Creio que sinfonias são a marca dos grandes atos. Grandes peças, grandes cenas, sempre há uma sinfonia por trás. Aqui vai a minha humilde sinfonia do paladino...

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Hellride 9

Finalmente, as hordas de demônios haviam cessado o ataque. Um merecido descanso, depois de fatiar alguns milhares de corpos. Eu precisava recuperar o fôlego.

Ele veio avançando em meio a massa de demônios caídos. Senti sua presença antes de vê-lo. O último dos grandes demônios que eu teria de matar.

A Tristeza.

Não dei tempo para conversa, nem bem vi o demônio, e abri fogo com minhas duas pistolas. Descarreguei trinta tiros no peito da criatura. Larguei as pistolas e peguei os revólveres, e disparei mais doze tiros na cabeça. Saquei as duas espadas e avancei gritando.

Ele me olhou, de cabeça baixa. E me golpeou com força suficiente para me largar deitado no chão.

Levantei, e avancei novamente. Agora mais cauteloso, tentei um bote com as espadas.

Fui rechaçado sem esforço. Esse desgraçado era muito mais forte do que eu temia.

-Porque lutas, jovem? Não teve sua lição ainda? Essa é a terceira vez que nos encontramos, e você SEMPRE tenta me derrotar, por mais que isso te custe. E eu sempre volto para te atormentar.

-Eu luto, Tristeza, porque eu preciso sair do Inferno. E você tem parte da chave de saída.

-Precisa sair? Porque? Não é aqui sua casa?

-Não mais, Tristeza. A muito tempo que o Inferno não é minha casa. Eu tenho alguém me esperando lá fora, e eu preciso voltar.

-Tens alguém? E como vieste parar aqui novamente?

-Por meus erros, apenas. Agora se renda, ou lutaremos de novo.

Ele se ajoelhou a minha frente. Era um ato que eu não esperava, não de um demônio. Olhou para mim e disse:

-Pois bem, jovem. Se é seu desejo sair do Inferno para voltar ao mundo e lutar lá, seja feita vossa vontade. Não irei te impedir. Então, termine logo com isso. Eu esperarei aqui por você, caso venhas de volta um dia.

-Espero que nunca mais nos vejamos, caro amigo. Honestamente, eu e você sempre nos demos bem, mas não podemos coexistir.

-Eu sei. Você sempre vai carregar um pouco de mim. A Tristeza sempre está lá, no fundo dos seus olhos.

Cravei minha espada em sua garganta. Ele estava certo. Mas eu também estava certo.

Hora de rumar para fora daqui.

Estranhamente, eu comecei a sentir cada vez mais frio.

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