Creio que sinfonias são a marca dos grandes atos. Grandes peças, grandes cenas, sempre há uma sinfonia por trás. Aqui vai a minha humilde sinfonia do paladino...

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Hellride 7

Quando um dos grandes demônios morre, é como se um peso saísse das costas. O efeito que eles tem sobre mortais é devastador, por eles se alimentarem dos medos. E cada um se alimenta de um medo diferente.

Já havia se passado algum tempo desde que eu havia derrubado o Abandono. Tempo. Essa palavra não significa nada no Inferno. O tempo aqui é estranho. Como se fosse parado.

Mas, mesmo assim, eu já estava recuperado da luta. Não totalmente, mas bem o suficiente para a próxima.

E, ela não tardou a acontecer.

São raros, mas existem, os demônios com forma feminina. Cabelos longos, corpos curvilíneos, olhos sanguinolentos. E uma voz que pode quebrar o mais forte dos homens. E, bingo, eu encontrei uma.

Traição era seu nome, e ela me emboscou numa rua escura:

-Olha quem eu vejo por aqui - disse ela, em sua melhor voz esmagadoramente suave - meu antigo companheiro. Irá ele voltar à mim ou deverei destruí-lo?

-Eu já a deixei a tempos, vadia - respondi - e agora quem vai ser destruída é você mesma.

Ela não era fraca, apesar do corpo esguio. Descarreguei uma pistola nela, e ela parecia nem sentir. Descarreguei a outra, e um revólver. Ela começou a cambalear. Aproveitei que estava distraída.

Cravei uma espada no peito dela.

Ela olhou para mim, com seus lindos e meigos olhos traiçoeiros. Uma garra raspou meu braço, abrindo cortes profundos.

Cortei a cabeça dela fora.

-Não tenho medo de você, Traição. Você é patética com seus suspiros e devaneios com outros.

Nenhum comentário:

Postar um comentário