Creio que sinfonias são a marca dos grandes atos. Grandes peças, grandes cenas, sempre há uma sinfonia por trás. Aqui vai a minha humilde sinfonia do paladino...

sábado, 24 de novembro de 2012

Third Act, part 4 - Silent War

Thanes e Sar se levantaram juntos, e foram ver o resto da equipe.
Raven e Eli estavam recuperados da noite anterior. Arkayne e Blackwyn haviam vasculhado toda a casa, Vellyn e Amber haviam saído sem deixar rastros, mas eles já sabiam onde começar a procurar por elas.

Haveria guerra. Uma guerra silenciosa. Uma guerra mortal.

Vellyn e Amber estavam condenadas ao túmulo. E todos os que apoiassem elas.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

As I Promissed

Segunda parte...

Anteriormente, descrevi o Paladino em mim... agora é chegada a hora do Cavaleiro da Morte...

Epítome do mal, da crueldade, da frieza. Máximo do sangue-frio, do desalmamento.
Isso define bem o Cavaleiro da Morte.
Sem prisioneiros nem sobreviventes. Esse é o ideal.
Nada fica no caminho da morte encarnada. Nada o detém.

Ao  passo que o Paladino é humano e falho, e apesar de sua lealdade inquebrável, a bondade no seu coração pode ser direcionada, o Cavaleiro da Morte se entrega as partes mais sombrias da alma.
E enquanto a Luz pode gerar sombras, a Escuridão tudo engulfa.

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Third Act, part 3c - Luna (by Thanes)

Meu sono era terrível. O fato de estar abraçado em Sar ajudava a acalmar, mas ainda assim foi uma noite de pesadelos.

Vellyn. Como eu a odeio. Sonhei diversas vezes com ela, todas as vezes que eu a matava em meus sonhos isso me fazia sentir bem. Me sentir vingado.

Sar. Como eu a amo. Ela sempre do meu lado, me dando o apoio que eu tanto preciso, o carinho que eu tanto quero. Ela faz eu me sentir vivo de novo.

Senti a respiração dela. Tive apenas uma certeza: Vellyn iria morrer. Ela não viveria para contar a história de como foi me trair. Ninguém me trai e vive.

Senti o calor dela. Tive outra certeza: Sar está comigo. Mais do que meus irmãos, ela é quem está ao meu lado.

Afundei novamente no sono.

Third Act, part 3b - Luna (by Sar)

Enquanto eu dormia, meus sentimentos se concretizavam cada vez mais...

Ele é tão tudo... cada palavra, cada gesto, cada respiração meus sentimento s se concretizavam... criavam raízes cada momentos maiores...

Será que sou eu a mulher certa??? Será que serei eu a ajudar e trazer a Vellyn de volta??? Não queria que ela voltasse...

Sinto seu calor no meu corpo, me aninho no seu corpo e volto a sonhar... sonhar com um dia que eu não talvez não chegue...

Hellride 10

Todos os grandes demônios haviam sido mortos. A passagem para fora estava livre.

As palavras de Tristeza reverbavam em minha cabeça. Porque eu estava de volta ao Inferno?

O frio se tornava glacial. Meu sobretudo, já rasgado de tantas lutas, não mais oferecia proteção contra ele. Minhas calças jeans, igualmente surradas, estavam incomodas pelo meu sangue que congelara nelas. Pelo menos meus coturnos ainda estavam em bom estado, assim como minhas luvas de couro.

Acendi o último cigarro do maço. Estava em frente a uma porta de madeira, a porta para sair daqui. Abri.

Entrei. E meu coração quase saiu pela boca.

Haviam quatro figuras paradas do lado de dentro da porta. Jaquetas jeans, jaquetas de couro, sobretudos. All Stars, botas e coturnos.

Por isso eu estava com a sensação estranha. Minha essência havia sido dividida.

Eu já não era apenas um.

Trocamos olhares. Todos com o mesmo olhar de predador. Os mesmos cabelos compridos, negros e cacheados. A mesma expressão de descontentamento de estar longe.

Entre nós, surgiu uma outra figura. Era semelhante, mas diferente. Tinha asas negras, e olhos negros.

Ele olhou para nós e falou:

-Finalmente. Thanes, Taurus, Arkayne, Blackwyn e Tito. Finalmente vocês podem sair desse Inferno e voltar para casa. Mas, é o que vocês querem?

-Sim - respondi sem hesitar - é o que queremos. Queremos poder acabar de vez com esse tormento. Voltar para ela.

-Voltar para ela? perguntou a figura alada - Realmente, voltar para ela? Ela é tão importante assim? O sacrifício do Inferno empalidece perante ela? Ela vale cada gota de suor, sangue e lágrima que vocês derramaram?

-Sim - respondemos - ela vale cada gota, ela vale mais do que isso na verdade. Ela vale cada esforço. Cada segundo. Cada batida de nossos corações.

-Então - continuou a figura alada - estejam livres para voltar ao mundo. Apenas, mantenham essa mensagem em mente, e digam para ela também: Nunca mais voltem aqui. O Inferno não quer mais vocês. Eu não quero mais vocês. Sejam felizes com ela, e tenham uma vida longa e próspera. E que ela possa manter vocês afastados daqui. Os demônios que vocês mataram: Tristeza, Agonia, Descrença, Desespero, Fúria, Traição, Covardia, Abandono, eles estão todos esperando por vocês. Esperando que vocês caiam, para eviscerá-los de uma vez por todas. Se voltarem aqui, vocês não vão ter chance de sair.

Eu não aguentei, e fiz a pergunta:

-E você, quem é?

-Eu? Eu sou aquele que vocês deixaram para trás quando saíram daqui pela primeira vez. Eu sou o Diabo em você. Eu sou o Carcereiro que você foi. Agora saiam de meus domínios. E nunca mais voltem.

Nesse momento, tudo ficou escuro.

Acordei.
Estava escuro. Cachorros ladravam, e um carro passava na rua do lado. Era hora de voltar para ela.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Hellride 9

Finalmente, as hordas de demônios haviam cessado o ataque. Um merecido descanso, depois de fatiar alguns milhares de corpos. Eu precisava recuperar o fôlego.

Ele veio avançando em meio a massa de demônios caídos. Senti sua presença antes de vê-lo. O último dos grandes demônios que eu teria de matar.

A Tristeza.

Não dei tempo para conversa, nem bem vi o demônio, e abri fogo com minhas duas pistolas. Descarreguei trinta tiros no peito da criatura. Larguei as pistolas e peguei os revólveres, e disparei mais doze tiros na cabeça. Saquei as duas espadas e avancei gritando.

Ele me olhou, de cabeça baixa. E me golpeou com força suficiente para me largar deitado no chão.

Levantei, e avancei novamente. Agora mais cauteloso, tentei um bote com as espadas.

Fui rechaçado sem esforço. Esse desgraçado era muito mais forte do que eu temia.

-Porque lutas, jovem? Não teve sua lição ainda? Essa é a terceira vez que nos encontramos, e você SEMPRE tenta me derrotar, por mais que isso te custe. E eu sempre volto para te atormentar.

-Eu luto, Tristeza, porque eu preciso sair do Inferno. E você tem parte da chave de saída.

-Precisa sair? Porque? Não é aqui sua casa?

-Não mais, Tristeza. A muito tempo que o Inferno não é minha casa. Eu tenho alguém me esperando lá fora, e eu preciso voltar.

-Tens alguém? E como vieste parar aqui novamente?

-Por meus erros, apenas. Agora se renda, ou lutaremos de novo.

Ele se ajoelhou a minha frente. Era um ato que eu não esperava, não de um demônio. Olhou para mim e disse:

-Pois bem, jovem. Se é seu desejo sair do Inferno para voltar ao mundo e lutar lá, seja feita vossa vontade. Não irei te impedir. Então, termine logo com isso. Eu esperarei aqui por você, caso venhas de volta um dia.

-Espero que nunca mais nos vejamos, caro amigo. Honestamente, eu e você sempre nos demos bem, mas não podemos coexistir.

-Eu sei. Você sempre vai carregar um pouco de mim. A Tristeza sempre está lá, no fundo dos seus olhos.

Cravei minha espada em sua garganta. Ele estava certo. Mas eu também estava certo.

Hora de rumar para fora daqui.

Estranhamente, eu comecei a sentir cada vez mais frio.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Hellride 8

Dois demônios haviam caído, e pelos meus cálculos, faltavam dois. Uma corrida no Inferno pode fazer você perder a noção do perigo, da moral e do bom-senso, mas nunca faz você perder a noção da sobrevivencia.

Mas realmente, havia algo muito errado no ar. Estava mais escuro que o normal, mais frio que o normal. Mais quieto que o normal.

Mas isso não atrapalhava meus instintos. Soube exatamente a hora em que as garras passaram onde minha cabeça estaria, se eu não tivesse me abaixado.

-Bom movimento, garoto. Você parece ter treinado desde a última vez que nos vimos.

-Desespero. Que visão reconfortante é você. Sempre atacando quando menos esperam.

-Então, permita-me terminar logo com isso, garoto.

Ele avançou, garras voando para o meu pescoço. Bloqueei com a espada, enquanto sacava o revólver. Dei três tiros a queima-roupa nele. Ele deu um passo para trás.

-Vejo que está imbuído de esperança, garoto. Que banquete delicioso.

Voltou à carga, garras se chocando com espadas. A luta foi encarniçada, ele passou perto de arrancar minha garganta muitas vezes.

Mas qual é a melhor arma contra o Desespero, senão a esperança de vencer?

Chutei o peito dele, e ele abriu minha perna com as garras. Mas isso me deu tempo para descarregar uma pistola na cabeça dele. E atravessá-la com a espada.

Três caíram, falta um. A chave para sair está quase completa.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Hellride 7

Quando um dos grandes demônios morre, é como se um peso saísse das costas. O efeito que eles tem sobre mortais é devastador, por eles se alimentarem dos medos. E cada um se alimenta de um medo diferente.

Já havia se passado algum tempo desde que eu havia derrubado o Abandono. Tempo. Essa palavra não significa nada no Inferno. O tempo aqui é estranho. Como se fosse parado.

Mas, mesmo assim, eu já estava recuperado da luta. Não totalmente, mas bem o suficiente para a próxima.

E, ela não tardou a acontecer.

São raros, mas existem, os demônios com forma feminina. Cabelos longos, corpos curvilíneos, olhos sanguinolentos. E uma voz que pode quebrar o mais forte dos homens. E, bingo, eu encontrei uma.

Traição era seu nome, e ela me emboscou numa rua escura:

-Olha quem eu vejo por aqui - disse ela, em sua melhor voz esmagadoramente suave - meu antigo companheiro. Irá ele voltar à mim ou deverei destruí-lo?

-Eu já a deixei a tempos, vadia - respondi - e agora quem vai ser destruída é você mesma.

Ela não era fraca, apesar do corpo esguio. Descarreguei uma pistola nela, e ela parecia nem sentir. Descarreguei a outra, e um revólver. Ela começou a cambalear. Aproveitei que estava distraída.

Cravei uma espada no peito dela.

Ela olhou para mim, com seus lindos e meigos olhos traiçoeiros. Uma garra raspou meu braço, abrindo cortes profundos.

Cortei a cabeça dela fora.

-Não tenho medo de você, Traição. Você é patética com seus suspiros e devaneios com outros.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Hellride 6

O silêncio do Inferno é algo perturbador. É como se o solo tivesse um tapete que abafa o som dos passos. E os demônios não falam nada, não gritam ao te golpear, nem ao morrer. E você não tem motivos para falar, gritar ou chorar.

Mas as vezes esse silêncio absoluto é quebrado, ao contrário da escuridão e do frio permanentes.

E sempre que ele é quebrado, não é porque algo bom está a caminho.

E eu ouvi a voz gutural atrás de mim.

-Olá de novo, mortal. De volta para ficar dessa vez?

Me virei, encarando os olhos vermelho-sangue do demônio.

-Abandono - eu disse - não esperava encontrar você primeiro. Más como encontrei, deixe-me matá-lo e terminar logo com isso.

-Tente! bradou o demônio.

Enfrentar um grande demônio é algo muito, muito tenso. Eles incorporam os maiores medos de sua alma, e usam contra você.

Mas eu estava imbuído de coragem, e dessa vez, eu tinha muito a perder.

Saquei meus dois revólveres, e descarreguei. Doze tiros na cabeça, cada tiro carregado com a minha gana de destruir ele. Quase foi o suficiente. Quase.

-Boa tentativa - disse ele de cabeça baixa - se seus companheiros não o tivessem abandonado no Inferno, talvez você conseguisse me derrotar apenas com isso.

-Eles não me abandonaram - eu respondi - estou apenas longe dos olhos deles agora.

Ele levantou a cabeça, a tempo de minhas duas espadas encontrarem o pescoço dele.

O silêncio voltou a reinar soberano, a escuridão e o frio intensificando.

domingo, 4 de novembro de 2012

Sangue

Existem pactos feitos verbalmente.
Existem juras escritas.
Existem promessas diante de Deus, Alá, Javé ou qualquer outro ser supremo.

E existe o voto feito sobre o sangue.

E eu fiz.

E esse voto é eterno.

Hellride 5

Normalmente, o Inferno é um lugar simples: lute, mate, lute mais, mate mais, descubra do que ele está se alimentando, mate mais um pouco e escape. Sem grandes surpresas.

Mas dessa vez, desde que eu entrei, eu sinto algo estranho no ar. Algo muito, muito errado. Mas deixa para lá, uma hora eu vou descobrir o que é.

Eu comecei a juntar as peças, tentando descobrir qual seria o ponto fraco do primeiro grande demônio a matar. Depois de derrubar um, os outros não são tão difíceis. É só uma questão de jeito. E de saber os pontos fracos.

Eu já havia encontrado cinco das minhas antigas casas, e entre as diversas coisas que eu havia deixado nelas, outra das minhas espadas. Bem como mais um par de pistolas e munição. As armas de fogo eu estava poupando para os grandes, os pequenos eu matava com a lâmina mesmo.

Comecei a sentir a presença de um dos grandes demônios a serem mortos. Não estava longe de mim, e eu já sabia do que ele se alimentava. Hora de acabar com ele.

sábado, 3 de novembro de 2012

Sons of Steel 5

Cavalgaram para o oriente por meses, destruíndo castelos, fortalezas, cidades mercantis e vilas que não se rendessem às Deusas e aos Filhos do Aço.

A missão final: unificar os Reinos sob o Estandarte do Aço Imortal. A missão mais longa da longa lista de missões na longa vida dos Cavaleiros Imortais. Mas também, a missão mais recompensante: ao terminar a conquista, vida eterna ao lado das Deusas que os escolheram.

Se sentaram ao lado da fogueira, com o mapa dos Reinos aberto entre eles:
-No último ano, conquistamos de Winterstorm à Valhea. Tudo nas Terras Centrais é das Deusas agora.
-E nas três décadas anteriores, conquistamos de Norzeth às Planícies de Sangue. E isso cobre parte do Norte também.
-E no século antes disso, conquistamos de Sepph à Valkin, além das Ilhas. O que falta conquistar antes de voltarmos a Fortaleza?
-O Sul, e o Deserto.
-Alguma previsão de tempo para isso?
-No ritmo que estamos? Mais uma década ou duas. No máximo cinquenta anos e nós voltamos para a Fortaleza das Deusas.

Third Act, part 3 - Luna

Thanes esperou Sar adormecer totalmente nos braços dele, e se levantou com todo o cuidado para não acordá-la. Chegou na janela e acendeu um cigarro olhando para a lua.

Haveria muita luta pela frente, Vellyn tinha passado batido por ele, de novo. Ele não se perdoava por isso, talvez tivesse sido melhor deixar ela matá-lo quando teve a chance anos atrás, ou ele tê-la matado quando teve a chance também.

Dessa vez, ele tinha a Sar ao seu lado. E que companheira maravilhosa ela era. Ousada, corajosa, leal. E uma guerreira formidável. Ele sentia que podia confiar nela tanto quanto podia nos seus irmãos de sangue. E com certeza a amava mais do que qualquer coisa.

E isso o atormentava. Ele odiava ser traído, ser usado, ser abandonado. Trauma. E ainda assim, ele confiava nela. Terminou o cigarro e voltou para a cama, sentindo a pele nua dela na sua. A abraçou, e antes de por a cabeça dela de volta no seu peito, beijo os lábios dela com suavidade.

Seria ela quem o ajudaria a acabar com Vellyn, e qualquer outro que se pusesse no caminho de Thanes e Sar. No caminho da Fúria da Tempestade.

Hellride 4

Eu lembrava de todas as casas que eu tinha passado aqui. Depois que eu escapei a primeira vez, quando eu voltei, me acostumei a guardar coisas úteis nelas.

Escalei o muro do lado da casa, e caminhei por cima do telhado. A escuridão da noite eterna no Inferno atrapalha a visão, exceto se o que você quer ver são demônios. Os olhos deles brilham vermelho-sangue, bem fácil de ver na escuridão permanente.

Pulei no pátio, e chutei a porta. Três demônios voaram para cima de mim, enquanto eu saltava para trás. Esses malditos não acabam nunca. Estourei a cabeça de um com a barra de ferro, e corri para dentro.

Ótimo, essa era uma das casas que eu havia deixado coisas. Um par de revólveres em cima da mesa, e um cinto de munição para eles. Larguei a barra, peguei os dois e atirei nos demônios restantes. Bang-bang, cabeças explodindo.

Eu achava engraçado. Antes de sair do Inferno pela primeira vez, os demônios não me perseguiam, não me atormentavam. Eu era o carcereiro nessa prisão. Eu era o diabo em pessoa. Mas quando eu voltei para cá, eu tinha mudado tanto que não mais pertencia aqui, e agora quem é o prisioneiro sou eu. E eu tenho que escapar.

Vasculhei a casa e encontrei uma das minhas mais antigas espadas. Ela viria a calhar, sempre gostei delas.

Saí de volta para a rua. A parte boa é que eu tenho um "sexto sentido" aqui, que me orienta para onde eu tenho que ir. A parte ruim é que vai estar infestado, e a luta vai ser tremenda.

Third Act, part 2d - Sanguine (by Sar)

Alguns minutos depois, sinto um leve e doce beijo no alto de minha cabeça; ouço um leve sussurro:
-Também te amo, minha Sar.

Eu não acredito no que eu ouço. Aquele momento era perfeito, da maneira que eu sempre quis, sonhei... Resolvi que não estragaria esse momento com palavras, simplesmente fiquei curtindo essas palavras e a imensidão delas ali, só no meu mundo.
Sentir a maciez da pele dele, ouvir a respiração, o cheiro, eles fazendo carinho de leve no meu braço... Ficar ouvindo o som mais lindo do mundo... As batidas do coração de quem eu amo... Tum-tum, tum-tum, tum-tum...
Essa sensação de paz e tranquilidade eu queria que fosse para sempre, meu corpo e minha mente relaxam, e o sono começa a tomar conta de mim...
Amanhã é um novo dia, tudo começa novamente... A busca por Vellyn começa novamente...

Por fim adormeço, nos braços do meu Thanes 

Hellride 3

Chutei o último dos pequenos demônios para longe de mim. Minha primeira batalha de volta no Inferno fora mais fácil do que eu pensei que seria.

A idéia por trás do Inferno é bem simples: ele é um espelho do mundo real, de uma forma sombria e distorcida. Ele se alimenta dos seus medos, e tenta extinguir sua esperança. Pequenos demônios são mais chatos do que realmente perigosos, como os problemas diários: é simples acabar com eles, mas eles nunca terminam. O verdadeiro perigo está nos grandes. Eles ficam mais poderosos quando seus medos crescem e suas esperanças minguam. E derrotá-los requer uma dose de coragem e vontade de vencer enorme.

E são eles que guardam as passagens de saída.

Mas essa não era minha primeira vez aqui. Eu já escapei três vezes. Eu sabia onde encontrá-los, só restava saber qual era a sua essência. E para isso, eu precisava saber quais eram meus medos.

Bom, um passo de cada vez. Primeiro eu vou precisar de armas. Voltar para onde eu acordei era inútil, eu conheço esse lugar bem o suficiente para saber que os lugares óbvios não são os lugares certos.

Olhei as ruas ao meu redor. E lá vinham mais demôniozinhos para me incomodar.

Bom, eu preciso manter a forma também. Uma luta vem a calhar.

E droga, está ficando cada vez mais frio aqui.

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Hellride 2

Mal meus olhos bateram na placa, eles vieram. Olhos vermelho-sangue, pele pálida.

Demônios.

E eu havia deixado as armas em casa. Óbvio, eu não esperava acordar no Inferno novamente. Mas aqui estava eu de novo, no mesmo velho Inferno congelado que eu havia sido prisioneiro e carcereiro no passado.
Eu já sabia o que fazer, e sabia que demônios eram aqueles. Não seria uma luta árdua, eu cresci muito quando saí daqui pela última vez.

Olhei em volta, procurando algo que eu possa usar como arma. Vejo uma barra metálica solta no chão. Improvisar, sempre a ordem do dia por essas bandas.

Os demônios avançaram em mim, como urubus na carne morta. Derrubei o primeiro, golpe certeiro na cabeça. Os outros recuaram um pouco, me observando. Me analisando.

Minha mente voava. Como eu vim parar de volta aqui, diabos? E qual seria a maldita chave para sair dessa vez? E, que droga, eu havia até mesmo pensado que eu tinha destruído esse lugar.

Mas essa é a grande piada do Inferno: não importa se você escape, se você aniquile tudo dentro dele, se você consiga destruir ele. Ele vai estar sempre ali. Esperando você cair. E pronto para cuspir hordas de demônios insandecidos em cima de ti.
E não espere encontrar seus amigos no Inferno, nem seus inimigos.
O Inferno é muito mais pessoal que isso.

E, escapar dele, é sempre uma coisa difícil.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Hellride

Acordei, estava escuro.
Olhei pela janela, e um vento gelado me encontrou. Fora o vento que me acordara.
O céu estrelado me garantia que eu havia acordado de noite, de novo.
Vesti o sobretudo, calcei os coturnos. Peguei minha carteira e saí.

A cidade estava quieta, estranhamente calma. Carros estacionados, taxis vazios. Ônibus não circulavam, não haviam pessoas na rua. Incomum, para uma capital.


Caminhei durante algum tempo, agradeci a mim mesmo por ter deixado as luvas de couro no bolso do sobretudo, pelo menos assim eu podia acender um cigarro. O vento frio estava cortante.

Toda a calma da cidade, o vazio, aquilo não estava normal. Tirei o celular do bolso e olhei a hora.

Meio-dia...

Levantei os olhos e vi a placa me encarando.

"Bem-vindo de volta ao Inferno"