Creio que sinfonias são a marca dos grandes atos. Grandes peças, grandes cenas, sempre há uma sinfonia por trás. Aqui vai a minha humilde sinfonia do paladino...
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sábado, 3 de novembro de 2012

Sons of Steel 5

Cavalgaram para o oriente por meses, destruíndo castelos, fortalezas, cidades mercantis e vilas que não se rendessem às Deusas e aos Filhos do Aço.

A missão final: unificar os Reinos sob o Estandarte do Aço Imortal. A missão mais longa da longa lista de missões na longa vida dos Cavaleiros Imortais. Mas também, a missão mais recompensante: ao terminar a conquista, vida eterna ao lado das Deusas que os escolheram.

Se sentaram ao lado da fogueira, com o mapa dos Reinos aberto entre eles:
-No último ano, conquistamos de Winterstorm à Valhea. Tudo nas Terras Centrais é das Deusas agora.
-E nas três décadas anteriores, conquistamos de Norzeth às Planícies de Sangue. E isso cobre parte do Norte também.
-E no século antes disso, conquistamos de Sepph à Valkin, além das Ilhas. O que falta conquistar antes de voltarmos a Fortaleza?
-O Sul, e o Deserto.
-Alguma previsão de tempo para isso?
-No ritmo que estamos? Mais uma década ou duas. No máximo cinquenta anos e nós voltamos para a Fortaleza das Deusas.

domingo, 28 de outubro de 2012

Sons of Steel 4

Eles pararam em frente ao castelo, os cavalos bufando. A voz que saiu do elmo parecia um trovão:

-Rendam-se, ou pereçam!

Os portões se abriram, enquanto de dentro saía uma figura envolta em um manto real vermelho. Ele parou em frente aos cavaleiros, com um olhar suplicante:

-O que vocês querem? Já não basta atormentarem meu reino, querem destruir meu castelo?
-Ancião, o que nós queremos ou deixamos de querer é de conta apenas nossa e de nossas deusas. Agora, irá render seu castelo e seu reino a nós ou iremos ter de tomar a força?
-Tomar a força? Vocês são cinco, e os meus são muitos, dezenas mais. Como vocês sonham em tomar a força?
-Pois bem, tomamos isso como desafio.

Os cinco desceram dos cavalos, e sacaram suas armas. Proferiram em unissono:

-Nós somos os Filhos do Aço, Cavaleiros Imortais, e não seremos derrotados!

Ao fim do dia, eles cavalgaram em direção ao oriente. As cabeças do rei e sua corte estavam em lanças em frente ao castelo.

sábado, 27 de outubro de 2012

Sons of Steel 3

Eles dormiam, as brasas na fogueira amainavam.

Dormiam um sono conjunto, e sonhavam em conjunto.

Estavam em frente a uma fortaleza, uma fortaleza gigantesca. Era impossível que uma fortaleza assim não estivesse em nenhum mapa, mas até então era desconhecida. Ela era já era antiga quando eles eram jovens, como se fosse a última relíquia de um tempo imemorial.

Eles entraram, e no saguão haviam cinco estátuas. Os pedestais eram altos, quase da altura deles, e as estátuas eram de mulheres lindissímas. Ele tocou a estátua do meio, e todas começaram a se romper, revelando que não eram apenas estátuas, mas elas estavam ali dentro. Ela olhou para ele e disse:

-Quem são vocês, que ousam invadir nosso domínio?
-Somos andarilhos, minha senhora, desculpe incomodá-las.
-Andarilhos? E sabem manejar a espada?
-Sim, minha senhora, os perigos da estrada são muitos, e temos que nos defender.

Elas desceram dos pedestais e acenaram para que eles permanecessem no saguão. Subiram as escadarias.

Logo estavam de volta, e cada uma parou na frente de um deles. Disseram em unissono:

-Vocês, andarilhos, quais seus nomes?

Eles responderam, e elas se viraram para trás, olhando os pedestais.

-De hoje em diante, seus nomes serão conhecidos apenas por nós e por vocês. Vocês tem bom coração, e são jovens. Nós lhe daremos uma oportunidade.
-Qual oportunidade?
-A oportunidade de serem deuses conosco. Apenas basta que jurem.

Elas avançaram até os pedestais, e os archotes e brazeiros no saguão se acenderam. Os pedestais se romperam, revelando armaduras e armas dentro.

-Venham, e peguem suas armaduras.

A primeira armadura, tinha um machado de duas mãos junto, e o desenho de um lobo no peito. Ele vestiu, e viu os cabelos loiros dela ao seu redor.

-Você, Lobo, jura ser um Filho do Aço, Cavaleiro Imortal, consagrado por e para sua deusa?

Ele olhou para ela, e foi atraído pelos olhos dela. Eram olhos puros, e viu neles o amor que buscava.

-Sim, eu juro. Sou um Filho do Aço, Cavaleiro Imortal, e nem arma nem velhice, doença ou veneno me mataram, pois em você, minha deusa, está minha força, proteção e vida.

A segunda armadura, tinha um arco e uma aljava, e o desenho de uma raposa no peito. Ele vestiu, e sentiu o frescor da presença dela ao seu redor

-Você, Raposa, jura ser um Filho do Aço, Cavaleiro Imortal, consagrado por e para sua deusa?

Ele olhou para os olhos dela, e viu neles olhos alegres e zombeteiros. Amou-os de imediato.

-Sim, eu juro. Sou um Filho do Aço, Cavaleiro Imortal, e nem arma nem velhice, doença ou veneno me mataram, pois em você, minha deusa, está minha força, proteção e vida.

A terceira armadura, tinha uma espada de duas mãos, e o desenho de um corvo no peito. Ele vestiu, e viu os cabelos negros dela esvoaçando.

-Você, Corvo, jura ser um Filho do Aço, Cavaleiro Imortal, consagrado por e para sua deusa?

Ele olhou ela nos olhos, e eles eram implacáveis como os seus. Era a sua companheira pela eternidade.

-Sim, eu juro. Sou um Filho do Aço, Cavaleiro Imortal, e nem arma nem velhice, doença ou veneno me mataram, pois em você, minha deusa, está minha força, proteção e vida.

A quarta armadura, tinha duas espadas, e o desenho de uma pantera no peito. Ele vestiu, e sentiu os cabelos ruivos ao seu lado.

-Você, Pantera, jura ser um Filho do Aço, Cavaleiro Imortal, consagrado por e para sua deusa?

Ele olhou para ela, e ela era tão linda, tão forte. Sentiu o amor dela fluindo para ele.

-Sim, eu juro. Sou um Filho do Aço, Cavaleiro Imortal, e nem arma nem velhice, doença ou veneno me mataram, pois em você, minha deusa, está minha força, proteção e vida.

A quinta armadura, tinha uma espada e um escudo, e o desenho de uma águia no peito. Ele a vestiu, e sentiu o calor dela.

-Você, Águia, jura ser um Filho do Aço, Cavaleiro Imortal, consagrado por e para sua deusa?

Ele não olhou para ela, mas tocou em sua mão e se ajoelhou.

-Sim, eu juro. Sou um Filho do Aço, Cavaleiro Imortal, e nem arma nem velhice, doença ou veneno me mataram, pois em você, minha deusa, está minha força, proteção e vida.

Eles acordaram, para mais um dia de marcha. Sua fortaleza estava longe, e aquela era a missão que faltava para ascenderem com elas. Eles as conheceram faziam muitos, muitos séculos. De fato, eles as amaram por toda a eternidade.

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Sons of Steel 2

Eles sentaram ao redor da fogueira. Ele tirou o elmo e abanou os longos cabelos negros, enquanto os outros faziam o mesmo. Conversavam.

-Lembra da luta, faziam uns dois dias que tinhamos saído do vilarejo?
-Claro que lembro. Eram quantos? Cinquenta? E nós eramos apenas doze.
-Haha, aqueles dois novatos, primeira vez que punham a armadura, e já queriam ser cavaleiros. Morreram rápido, nem deu tempo de darem seus primeiros golpes.
-Mas as suas flechas fizeram um ótimo serviço, foram apenas dois dos nossos que caíram.

Eles se olhavam, olhos negros como a noite. Mas sabiam que na hora da luta os olhos negros iriam brilhar com o fogo que ardia dentro deles.

-E cinco dias depois, naquela luta perto do castelo de Valgord. Grande luta aquela.
-Bah, os cavaleiros do Grande Reino são perigosos, lutam bem.
-Não tanto quanto nós, hehe.
-Eu sei que alguns deles morreram de medo, não imaginavam que iriam nos enfrentar.
-Ninguém imagina que vai.

E a conversa prosseguiu noite adentro.

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Sons of Steel

Chovia, uma garoa fina que entrava pelas frestas da armadura, e o enxarcava até a alma. Ele observava os campos à frente através da viseira do elmo, o cavalo negro bufava sob ele.

Haviam três vintenas que eles saíram da vila, eram doze cavaleiros. Apenas cinco restavam: Águia, Corvo, Lobo, Raposa e Pantera. Os Marcados.

Ele parou e ouviu o vento, sentiu o ar. Haveria combate, não iria demorar muito. Sentiu o cabo da espada na cintura, o escudo atravessado nas costas. Olhou para seus companheiros, eles também sentiam a luta se aproximando, era o que os tornava imbatíveis. Preparavam arcos, lanças e espadas.

Não haveria tempo para descanso, já podiam ouvir o galope atrás da colina. Eram no minímo trinta contra eles. Essa seria uma boa luta, era raro encontrar tantos de uma vez só.

O clamor das espadas abafava o zumbido do arco, mas não a precisão das flechas, um após o outro caíam sob a chuva de setas. Eles venciam novamente.

Os muitos corpos espalhados comprovavam isso.

Ele cravou a espada ensanguentada no chão, apoiou o escudo marcado por centenas de golpes na perna. Tirou as luvas. Seus companheiros faziam o mesmo.

Olhou para o B marcado à brasa em seu braço direito, enquanto os outros olhavam suas marcas: o T, o A, o S e o R. Havia muito tempo que eles tinham feito as marcas, a inicial de quem os esperava na fortaleza do outro lado do mundo. A marca de quem era a razão deles lutarem.

Juntos proferiram mais uma vez o juramento:

-Nós somos os Filhos do Aço, e nossas lâminas nunca nos abandonam. Nós somos os Cavaleiros Imortais, marcados por nossas deusas. Nunca morreremos, por golpe ou doença, veneno ou velhice. Porque em nossas deusas está nossa força. Porque em nossas deusas está nossa proteção. Porque em nossas deusas está nossa vida.

Antes de pôr a luva de volta, olhou para a aliança em seu dedo. E sentiu o calor dela.