Dois demônios haviam caído, e pelos meus cálculos, faltavam dois. Uma corrida no Inferno pode fazer você perder a noção do perigo, da moral e do bom-senso, mas nunca faz você perder a noção da sobrevivencia.
Mas realmente, havia algo muito errado no ar. Estava mais escuro que o normal, mais frio que o normal. Mais quieto que o normal.
Mas isso não atrapalhava meus instintos. Soube exatamente a hora em que as garras passaram onde minha cabeça estaria, se eu não tivesse me abaixado.
-Bom movimento, garoto. Você parece ter treinado desde a última vez que nos vimos.
-Desespero. Que visão reconfortante é você. Sempre atacando quando menos esperam.
-Então, permita-me terminar logo com isso, garoto.
Ele avançou, garras voando para o meu pescoço. Bloqueei com a espada, enquanto sacava o revólver. Dei três tiros a queima-roupa nele. Ele deu um passo para trás.
-Vejo que está imbuído de esperança, garoto. Que banquete delicioso.
Voltou à carga, garras se chocando com espadas. A luta foi encarniçada, ele passou perto de arrancar minha garganta muitas vezes.
Mas qual é a melhor arma contra o Desespero, senão a esperança de vencer?
Chutei o peito dele, e ele abriu minha perna com as garras. Mas isso me deu tempo para descarregar uma pistola na cabeça dele. E atravessá-la com a espada.
Três caíram, falta um. A chave para sair está quase completa.
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